Não nascemos Humanos

29-04-2024

Aprendizagem social e agressão

É-nos dada a existência humana mo momento em que nascemos, mas é preciso muito mais que isso para realmente nos tornarmos Humanos.

Quando vimos ao mundo praticamente só sabemos chorar, comer e dormir. Torna-se, então, importante entender a necessidade de educação como parte fundamental da criação de um ser completo, que está carente de formação, para se tornar cada vez mais autónomo. Assim, de acordo com Albert Bandura, que criou a Teoria da Aprendizagem Social, realça que a aprendizagem pode ocorrer através de experiências e modelos de observação do comportamento de outras pessoas, para além das recompensas e punições que estes recebem.

Existem 4 pilares que sustentam esta teoria:

Aprendizagem por Observação: Observação e imitação do comportamento de pessoas que rodeiem o indivíduo, principalmente daquelas que consideradas modelos de referência. Essa imitação pode ser consciente ou inconsciente e permite ao indivíduo a aprendizagem de novas habilidades e comportamentos sem a necessidade de as experimentar.

Autoeficácia: A crença nas próprias capacidades de dominar uma situação e alcançar um objetivo podem caracterizar uma forma de aprendizagem. Para isso, deve-se dispor das habilidades básicas para realizar o comportamento a ser aprendido. Essa crença influencia fortemente o que motiva um indivíduo a fazer  algo e a persistir diante de desafios. 

Expectativas: As previsões que fazemos sobre as consequências das nossas ações criam expectativas acerca daquilo que alguém conseguirá realizar. Por esse mesmo motivo, influenciam as escolhas e comportamentos desse alguém, já que o irão motivar a alcançar ações que acredite que o levará a resultados positivos. 

Reforço Vicário: Ao observar um comportamento a ser recompensado, seja ele um elogio ou um benefício, o observador tende a reproduzir esse mesmo comportamento. Na perspetiva oposta este também é válido, como por exemplo, aquando da observação de alguém a ser repreendido por um comportamento condenável, o observador tende a não realizar essa mesma ação.


Aplicações práticas:

Esta Teoria possui diversas aplicações práticas, entre elas, áreas como:

Educação: Fornece instrumentos de enorme valor para se criarem ambientes de aprendizagem mais eficazes.

Gestão de empresas: Pode ser utilizada para motivar e aumentar a produtividade dos empregados.

Psicologia: É utilizada para melhor compreender uma vasta panóplia de comportamentos.

Através de alguns estudos foi verificado que:

Crianças com medos de cães, expostas a um "Fearless Peer" tendiam a aproximar-se mais de um cão (Bandura, Grusec e Menlove, 1967)

As crianças que observaram o modelo mais agressivo foram mais agressivas com os bonecos na experiência Bobo Dolls. (Bandura, Ross e Ross, 1961)

Em jeito de conclusão, ao longo de toda a nossa vida estamos sempre em constante aprendizagem. Segundo esta teoria, há uma ênfase não só no comportamento, mas também na cognição e emoção, enfatizando a relação entre pensamento, sentimento e comportamento. Assim, a teoria apresentada torna-se bastante útil e bem-conseguida, na medida em que se apenas fosse realizada uma aprendizagem através dos próprios comportamentos de um indivíduo, este processo seria muito mais demorado e, até, perigoso. Desta forma, através desta relação entre observação, pensamento e sentimento é formada uma ideia base, que será utilizada em novos comportamentos, servindo de guia para a ação.

EM SUMANÃO NASCEMOS HUMANOS, APRENDEMOS A SÊ-LO.

De acordo com a conclusão que é retirada do texto acima, é possível realizar uma espécie de "ponte" com o tópico que completa este tema: a agressão (neste caso, relacionada com a aprendizagem social).

A relação entre aprendizagem social e agressão é um tema complexo e amplamente estudado na psicologia. A teoria da aprendizagem social, proposta por Albert Bandura, e abordada acima, sugere que as pessoas aprendem comportamentos observando terceiros a agir e as consequências desses comportamentos. A agressão pode ser aprendida por meio da observação e imitação de modelos agressivos, bem como pela influência do ambiente em que uma pessoa está inserida.

Existem vários fatores que podem influenciar a relação entre aprendizagem social e agressão:

  1. Modelos de comportamento: Se uma pessoa é exposta a modelos de comportamento agressivo, como pais agressivos, figuras de pessoas com relevância violentas ou colegas com comportamento agressivo, ela pode ser mais propensa a imitar esses comportamentos.

  2. Reforço: Se o comportamento agressivo é recompensado de alguma forma (por exemplo, ganhando poder, respeito ou recompensas materiais), isso pode reforçar a tendência do envolvimento em comportamentos agressivos no futuro, por parte daquele que beneficiou dele.

  3. Normas sociais: Em algumas culturas ou grupos sociais, a agressão pode ser mais aceite ou até mesmo encorajada. A conformidade com essas normas sociais pode levar os indivíduos à utilização de comportamentos agressivos, com vista à sua integração num grupo.

  4. Frustração e stress: Situações de frustração, stress ou conflito podem aumentar a probabilidade do comportamento agressivo, especialmente se o indivíduo julgar que a agressão é uma forma eficaz de lidar com essas emoções negativas e de resolver problemas.

É importante notar que nem todas as pessoas expostas a modelos agressivos se tornam agressivas. O comportamento humano é influenciado por uma interação complexa entre fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais. Portanto, embora a aprendizagem social possa desempenhar um papel decisivo na agressão, ela não é o único fator determinante desse comportamento e não explica completamente o porquê de algumas pessoas serem mais propícias à agressão do que outras.

Bibliografia:

Ganda, D. R., & Boruchovitch, E. (2018). A autorregulação da aprendizagem: principais conceitos e modelos teóricos. Psicologia da Educação, 46(1), 71-80. https: doi/10.5935/2175-3520.20180008

Melo-Dias, C., & Fernandes da Silva, C. (2019). Teoria da aprendizagem social de Bandura na formação de habilidades de conversação. Psicologia, Saúde & Doenças, 20(1), 101-103. https://dx.doi.org/10.15309/19psd200108

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